Essa semana assisti novamente o "Into the Wild", e algumas coisas aconteceram em paralelo ai me veio a ideia de escrever esse texto, com pequenas historias e conclusões.
Sair por ai sem rumo certo, sem depender de nada além das próprias pernas, que nunca sonhou com isso?
Pois é coincidentemente esses últimos dias eu tive que caminhar muito e tirei algumas conclusões que eu vou separar em diferentes momentos.
O medo moralista da noite
Devido a falta de ônibus e uma noite que acabou cedo eu e um amigo tivemos que caminhar muito durante uma madrugada, foi uma noite louca aconteceram coisas engraçadas e algumas meio tensas, mas a noite é assim. Com 22 anos de idade eu nunca fui roubado, ou espancado ou qualquer uma dessas coisas que a mídia diz estar tão presente nas nossas cidades, não digo que ela não exista a violência existe, mas a rua a noite tem uma serie de regras não explicitas que se seguidas diminuem consideravelmente a possibilidade de algo ruim acontecer, é preciso ser diplomático na rua, na noite e na vida os que não entendem isso tendem a se sentirem ameaçados, tendem a uma ignorância gigante, tendem a ter medo do que nunca ousaram conhecer, é preciso que todos nós paremos de viver através do que diz o noticiário, somente. A noite não é das coisas mais amáveis, mas é lá que as coisas acontecem é la que se aprende a viver e eu to tentando aprender.
Os chamados delinquentes, vagabundos, e etc pintados como siths geralmente possuem os mesmos medos que qualquer um de nós, só que com menos a perder e menos possibilidades. E quem tem pouco a perder assusta como assusta quem está mais acostumado com a morte e a violência. Mas mesmo assim estamos longe do velho oeste que os moralistas pintam, o mundo é maior que o nosso quarto, e maior que qualquer aula ou teoria que todos nós VIVAMOS antes de sentir medo
A tele entrega hipermoderna.
No dia em que eu assisti a metade do filme "Na natureza selvagem" o cartão do ônibus resolve estragar, e eu tenho que caminhar um trecho até a faculdade que estudo. Empolgado pelo filme caminhar com uma mochila e fones de ouvido foi algo divertido, e me dei conta de como eu não conhecia o cainho que eu fazia diariamente, tudo passa a 60km\h, sem que nada fosse sentido, tocado e percebido de forma mais profunda.
Era quase como se eu fizesse aquele caminho pela primeira vez, notei as irregularidades os animais os carros o pasto e tudo mais com mais detalhamento, e isso me fez notar que a nossa vida hipermoderna faz isso conosco muita informação, muitas pessoas, muitos objetos passam pela nossa vida sem que a gente realmente os conheça. Tudo pode se encomendado, pode ser combinado, sem sairmos de casa e se não nos agradarmos mudamos pra outro que mais nos convenha, que mais combine conosco. Provavelmente por isso eu vi tanto relacionamentos terminarem esse ano, na época em que se estragou nos compramos um novo ou mais moderno construir algo em conjunto é algo difícil demais, como escreveu o Ruben Alvez é preciso ensinar compaixão. Só assim existira alteridade em coisa faltante no mundo hipermoderno individualista..
Lembranças e velocidade.
Graças a um grande desencontro eu tive que caminhar do IF de pelotas até o Big na cidade de pelotas,e mais uma conclusão foi tirada. Pelotas é m lugar que me traz muitas lembranças, de tempos distintos da minha vida, e passando pelo lugar onde eu tinha estado no passado que não era tão distante assim, eu me lembrei, das risadas das bandas que tocaram,dos porres,e de tantas historias que se passaram ali e como é estranho saber que as pessoas que virão depois de nós jamais saberão o quanto aquele lugar foi palco de tantas coisas que não irão retornar, é louco pensar que as coisas se modificam tão de pressa e nós nem percebemos. Mais louco ainda é passar e lembrar de um sentimento que não existe e sorrir sem pensar no saldo positivo ou negativo daquela historia, que acabou, ninguém vai saber o lugar onde casais se beijaram pela primeira vez, ou onde foi dado o primeiro presente de dia dos namorados, ou piadas ente casais que não exitem mais foram trocadas.
Percebi de forma empírica nessa caminhada que as coisas mudam rapidamente, sem a gente perceber, e que lembranças que já nos fizeram sofrer com o passar do tempo se tornam parte da nossa historia que, guardaremos até o fim da vida com carinho.
A queda da bastilha interna
É necessário voltar ao começo já diria o poeta. O ultimo conto não fala de uma caminhada, ao menos não física. Fala de encontrar um velho amigo, muito provavelmente o mais antigo que eu tenho que não é propriamente da minha família, sair com um velho amigo e perceber que a amizade segue igual ou melhor que antes, compartilhar a antiga paixão pela musica, a tendencia para o humor (e para o trago) nos faz perceber que o temo passa, nossos amigos se casam, e amadurecem, mas algumas coisas permanecem lá iguais a sempre, e por mais complicadas que as coisas possam parecer existe gente que vai ta contigo até o final.
Foi assim que eu me despedi com um tapinha nas costas de uma era da minha vida, desejando-lhe boa sorte e tudo de bom, Da forma mais sincera do mundo. Como vemos na historia, transições de uma época pra outra nunca são repentinas, mudam algumas estruturas mas sempre com alguns pilares antigos. Mas existem alguns marcos historiográficos, então ontem seria a queda da minha bastilha interna.
Há muito a superar a magoas e sentimentos ruins a serem suplantados mas também há muito a se viver que comece um novo período então.
Escrito ao som da trilha sonora de "Into the Wild" do Eddie Vedder.